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Política

JHC E O PASSIVO DE UMA GESTÃO: DÍVIDAS, INVESTIGAÇÕES, MULTAS E QUESTIONAMENTOS QUE ACOMPANHAM A DISPUTA PELO GOVERNO DE ALAGOAS

Publicada em 03/09/2026 às 04:23h |  

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JHC E O PASSIVO DE UMA GESTÃO: DÍVIDAS, INVESTIGAÇÕES, MULTAS E QUESTIONAMENTOS QUE ACOMPANHAM A DISPUTA PELO GOVERNO DE ALAGOAS


Ex-prefeito de Maceió e candidato do PSDB ao Governo de Alagoas entra na corrida eleitoral sob forte escrutínio sobre decisões administrativas, investimentos previdenciários, contratos, endividamento, controvérsias judiciais e denúncias de censura à imprensa que atravessaram sua gestão

 

 

Por Redação 

Segundo Poder

 

 

A candidatura de JHC ao Governo de Alagoas recoloca no centro do debate político o legado deixado à frente da Prefeitura de Maceió. Em pouco mais de cinco anos de gestão, encerrada em abril de 2026, uma série de questionamentos administrativos, financeiros e judiciais passou a integrar o histórico político do ex-prefeito.

Um dos episódios de maior repercussão envolve o Iprev Maceió e os investimentos no Banco Master. Durante a administração de JHC, o instituto previdenciário chegou a manter exposição de aproximadamente R$ 117 milhões junto à instituição financeira. A operação que investiga possíveis irregularidades resultou em medidas autorizadas pelo STF e alcançou pessoas que ocupavam funções relacionadas à gestão do instituto e à análise dos investimentos.

A investigação busca esclarecer quem apresentou os investimentos, quem recomendou, quais análises de risco foram realizadas, quem autorizou as aplicações e por que determinados títulos não contavam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). JHC não está entre os seis alvos da atual operação, mas o episódio coloca sob questionamento a governança adotada durante sua administração.

DÍVIDAS E CUSTO FINANCEIRO EM ALTA

Outro ponto que pesa sobre o balanço da gestão é o crescimento do serviço da dívida municipal. Os pagamentos de juros e amortizações passaram de R$ 50 milhões em 2022 para uma projeção de R$ 216,5 milhões em 2026.

Somente os juros e encargos saltaram de aproximadamente R$ 12,4 milhões para R$ 133,7 milhões no período. Entre 2022 e 2026, o serviço da dívida soma cerca de R$ 622 milhões.

O município também acumulou aproximadamente R$ 1,54 bilhão em operações de crédito, enquanto a atual administração busca autorização para contratar mais R$ 517 milhões. O cenário levanta uma questão inevitável: qual será o custo dessa política de endividamento para as próximas gestões e para os cofres públicos de Maceió?

R$ 41 MILHÕES EM DÍVIDAS COM A COLETA DE LIXO

O passivo municipal também aparece na área de limpeza urbana. A Defensoria Pública ingressou com ação cobrando aproximadamente R$ 41,8 milhões apontados como devidos a empresas responsáveis pela coleta e tratamento de resíduos.

A situação acendeu o alerta para possíveis impactos na continuidade dos serviços, manutenção da frota, aquisição de combustível e pagamento de fornecedores. Embora o problema esteja relacionado à administração atual, o episódio integra o conjunto de passivos financeiros que passaram a cercar a máquina pública municipal após o período de JHC.

MULTAS DE TRÂNSITO E QUESTIONAMENTOS SOBRE O DMTT

Outro episódio que provocou críticas foi a publicação de milhares de notificações de trânsito pelo DMTT. Em diferentes edições do Diário Oficial, foram identificadas 15.144 notificações, envolvendo estacionamento irregular, avanço de sinal vermelho, circulação em faixa exclusiva, uso de celular ao volante, conversões proibidas e outras infrações.

Em apenas seis dias, foram publicadas 6.485 notificações, levantando questionamentos sobre a política de fiscalização adotada e sobre a destinação dos recursos arrecadados com multas.

A fiscalização de trânsito é uma obrigação do poder público, mas a discussão política está em outro ponto: se o aumento expressivo das autuações veio acompanhado de medidas efetivas para reduzir acidentes, melhorar a mobilidade e aumentar a segurança viária ou se acabou produzindo apenas um crescimento da arrecadação.

EDUCA+ E OS QUESTIONAMENTOS SOBRE TRANSPARÊNCIA

Outro ponto que merece atenção envolve o programa Maceió Abraça o Mundo, realizado por meio do EDUCA+, serviço social autônomo criado durante a gestão de JHC.

O convênio para a segunda edição do projeto alcançou R$ 6,59 milhões. Documentos públicos também registram o nome de Karla Dacielly Alves Caldas, apontada como prima de JHC, na estrutura administrativa da entidade.

A presença de uma parente do ex-prefeito em funções dentro da estrutura pública não significa, por si só, irregularidade. Mas a relação familiar e a movimentação de recursos públicos tornam indispensável a transparência sobre critérios, contratos, funções e responsabilidades na execução dos projetos.

CENSURA À IMPRENSA E JUDICIALIZAÇÃO DA CRÍTICA

Outro capítulo controverso da trajetória política de JHC envolve a relação com jornalistas e veículos de comunicação. Mais de 200 ações judiciais contra profissionais e empresas de comunicação são apontadas por críticos como parte de um processo de judicialização da imprensa.

Recorrer à Justiça é um direito de qualquer cidadão, inclusive de agentes públicos. O problema surge quando a multiplicação de ações passa a produzir efeito intimidatório sobre jornalistas e veículos que fiscalizam o poder público.

Para setores da imprensa alagoana, a estratégia ultrapassou o campo do direito de resposta e da defesa da honra e passou a ser interpretada como censura à imprensa pela via judicial, uma prática que desperta comparações preocupantes com períodos autoritários da história brasileira.

UMA TRAJETÓRIA POLÍTICA MARCADA POR DERROTAS

A trajetória eleitoral de JHC também registra derrotas importantes. Em 2016, quando disputou a Prefeitura de Maceió, não chegou sequer ao segundo turno.

Anos depois, já como prefeito da capital, também não conseguiu eleger o próprio irmão para deputado federal. O resultado mostrou que o controle da maior prefeitura de Alagoas não se traduziu automaticamente em força eleitoral suficiente para garantir a eleição de um familiar para a Câmara dos Deputados.

O PASSIVO QUE AGORA CHEGA À DISPUTA ESTADUAL

Agora, JHC tenta transferir sua trajetória política da Prefeitura de Maceió para o Governo de Alagoas. Mas, antes de discutir novos projetos, a eleição também coloca em julgamento o que ficou para trás.

Investigações envolvendo investimentos previdenciários, crescimento do custo da dívida, questionamentos sobre contratos e transparência, milhares de multas de trânsito, problemas financeiros e a forte judicialização da relação com setores da imprensa formam um conjunto de episódios que exige respostas.

 

A pergunta que fica para o eleitor alagoano é simples: o modelo administrativo deixado por JHC em Maceió representa uma experiência que Alagoas deve ampliar ou um passivo que o Estado não pode correr o risco de repetir?




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