
Por Redação
Segundo Poder
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi oficialmente confirmado pelo PT como candidato à reeleição nas eleições de 2026. A convenção nacional do partido foi realizada neste domingo (2), no Expo Center Norte, em São Paulo, e também confirmou Geraldo Alckmin (PSB) novamente como candidato a vice-presidente. (Partido dos Trabalhadores?)
Diante de dirigentes partidários, governadores, ministros, aliados e representantes da aliança que sustenta sua candidatura, Lula sinalizou que a estratégia eleitoral será baseada principalmente na defesa das ações realizadas pelo governo nos últimos quatro anos e no enfrentamento à desinformação, que, segundo ele, poderá ganhar força com o uso da inteligência artificial.
Para o presidente, a campanha não precisará criar promessas desvinculadas da atual gestão. A aposta será apresentar ao eleitor os resultados que o governo afirma ter alcançado desde 2023 e defender a continuidade das políticas públicas.
“Quem fez pode prometer mais, quem não fez não tem o que prometer. Essa é a lógica da nossa campanha.”
“Nosso governo”, e não apenas “governo Lula”
Lula orientou os candidatos aliados a apresentarem, durante a campanha, as obras, investimentos e programas federais realizados em estados e municípios.
O presidente pediu ainda que os aliados substituam a expressão “governo Lula” por “nosso governo”, numa tentativa de compartilhar politicamente os resultados da administração com partidos, ministros, governadores, prefeitos e movimentos que integram a frente eleitoral.
“O governo não é só meu, e eu sozinho não faria o que está sendo feito.”
Na avaliação de Lula, a presença de investimentos federais em diferentes regiões do país deverá ser um dos principais argumentos eleitorais da candidatura. Ele citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e afirmou que praticamente todas as prefeituras brasileiras receberam obras ou equipamentos entre 2023 e 2026.
O presidente também afirmou que não conhece outro período da história brasileira em que a União tenha destinado tantos recursos a estados e municípios.
Terras raras e soberania nacional entram no discurso eleitoral
Outro eixo destacado por Lula foi a soberania nacional, especialmente em relação às chamadas terras raras, minerais estratégicos utilizados em setores como tecnologia, energia e indústria.
Durante o discurso, o presidente afirmou que o Brasil precisa proteger seus recursos naturais e criticou a interferência estrangeira sobre as riquezas nacionais.
“Tem muita gente metendo os dedos em nossas terras, isso vai parar.”
A defesa das terras raras aparece em um momento em que o governo tem colocado a soberania e a capacidade industrial brasileira entre os temas estratégicos para os próximos anos.
Alckmin permanece como vice
Lula também dedicou parte significativa do discurso à defesa da manutenção de Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.
O presidente lembrou que escolheu o ex-governador de São Paulo para comandar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e destacou sua experiência administrativa, conhecimento do setor produtivo e capacidade de articulação.
“Além da competência, a lealdade e o companheirismo.”
Lula também agradeceu ao ex-ministro Fernando Haddad pela contribuição na aproximação entre ele e Alckmin antes das eleições de 2022.
A repetição da chapa Lula-Alckmin representa a continuidade da aliança formada para a eleição presidencial anterior e reforça a tentativa do campo governista de apresentar unidade para a disputa de outubro.
PT, alianças e memória política
No início do discurso, Lula recuperou episódios da história do PT e lembrou as resistências enfrentadas pelo partido durante o processo de redemocratização.
O presidente também citou a aproximação histórica com diferentes forças políticas, incluindo PCdoB e PSB, mencionando dirigentes como Miguel Arraes e Eduardo Campos.
As lembranças foram utilizadas para apresentar a atual aliança eleitoral como resultado de um processo de construção política que atravessou diferentes momentos da história recente do país.
Economia e políticas sociais serão argumentos eleitorais
Na área econômica e social, Lula destacou medidas e indicadores que deverão fazer parte da narrativa eleitoral do governo.
Entre os pontos citados estão a recuperação de recursos destinados à saúde e à educação, o crescimento da economia, a redução do desemprego, a valorização do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
O presidente também voltou a defender uma maior tributação sobre as parcelas mais ricas da população. Segundo Lula, a proposta não representa uma tentativa de criar conflito entre ricos e pobres, mas de aumentar a contribuição daqueles que possuem maior renda e patrimônio.
“Não é nada de colocar pobre contra rico, é fazer o rico saber que ele também pertence a uma comunidade.”
Violência contra a mulher também entra na estratégia
Lula reservou ainda espaço para defender o combate à violência contra as mulheres e afirmou que o PT e o governo devem manter essa posição mesmo que isso provoque perda de apoio eleitoral entre homens contrários à pauta.
Em uma das declarações mais fortes do discurso, afirmou:
“Ou ele vota em mim, ou ele bate numa mulher. Quem bater na mulher, não precisa votar em mim.”
O presidente argumentou que a violência doméstica não atinge somente as mulheres agredidas, mas também crianças e outros integrantes das famílias.
Ao final, defendeu uma sociedade baseada em respeito, convivência e compartilhamento de responsabilidades.
Campanha terá disputa contra desinformação
A convenção também expôs uma das preocupações centrais do campo governista para a campanha de 2026: a utilização da inteligência artificial para produzir e disseminar conteúdos falsos ou manipulados.
Lula afirmou que a disputa eleitoral será uma batalha não apenas pela apresentação do legado do governo, mas também pela capacidade de enfrentar aquilo que considera mentiras disseminadas contra sua administração.
Com a candidatura oficialmente homologada, a estratégia apresentada pelo presidente combina defesa do legado, investimentos federais, soberania nacional, políticas sociais e econômicas e combate à desinformação.
A partir de agora, esses temas deverão ocupar espaço central no discurso da campanha de Lula e Alckmin na corrida pela Presidência da República em 2026.