
Por Redação
Segundo Poder
A prorrogação da convenção do PSDB em Alagoas intensificou as movimentações nos bastidores da política estadual e ampliou as especulações sobre o futuro político do ex-prefeito de Maceió, JHC. Embora tenha enviado um vídeo reafirmando que continua pré-candidato ao Governo de Alagoas, sua ausência no evento realizado na Associação Comercial chamou a atenção de lideranças, aliados e observadores do cenário político, alimentando interpretações de que as negociações ainda estão em andamento.
Nos corredores da convenção, o principal assunto era a possibilidade de JHC reavaliar sua estratégia eleitoral, passando a disputar uma vaga no Senado Federal. Até o momento, entretanto, não existe qualquer confirmação oficial de mudança em seus planos, e todas as hipóteses permanecem no campo das articulações políticas.
A indefinição ocorre em um momento de profundas mudanças no cenário estadual e nacional. A homologação do deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro retirou um dos principais nomes da disputa pelo Senado em Alagoas, alterando significativamente o desenho da oposição e abrindo espaço para uma nova reorganização das forças políticas.
Com Alfredo Gaspar fora da corrida ao Senado, Arthur Lira passou a ser apontado como um dos principais beneficiados na disputa pela vaga, enquanto Davi Davino permanece como candidato ao Senado, consolidando-se como outro nome de peso na corrida eleitoral. Nesse contexto, uma eventual mudança de estratégia por parte de JHC poderá influenciar diretamente a composição das chapas majoritárias e proporcionais.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que existem conversas entre JHC, Arthur Lira e dirigentes nacionais de seus respectivos partidos em busca da construção da estratégia eleitoral mais competitiva para 2026. Essas negociações também alimentam especulações de que, caso JHC não dispute o Governo do Estado, ele poderia concorrer ao Senado ou até mesmo abrir espaço para uma eventual candidatura de sua esposa, Marina Cândia, hipótese que também não possui confirmação oficial.
Enquanto parte dos aliados trabalha para convencer JHC a manter o projeto de disputar o Palácio República dos Palmares, outros avaliam que uma candidatura ao Senado poderia representar uma alternativa politicamente viável diante da nova configuração do cenário. Nenhuma dessas possibilidades, contudo, foi anunciada oficialmente pelo ex-prefeito.
A expectativa aumentou ainda mais após JHC optar por não comparecer pessoalmente ao evento realizado na Associação Comercial. Em vez disso, enviou uma mensagem em vídeo reafirmando que continua pré-candidato ao Governo de Alagoas, mas sem fazer o anúncio oficial que muitos esperavam, deixando espaço para diferentes interpretações sobre o andamento das negociações políticas.
Outro ponto que repercutiu após a convenção foi a circulação de uma fotografia mostrando um público aparentemente reduzido nas áreas externas do evento. Entretanto, uma imagem isolada não permite concluir que a convenção tenha sido esvaziada, pois não registra o fluxo de participantes durante todo o dia nem revela a ocupação dos ambientes internos, impossibilitando uma avaliação precisa sobre o comparecimento.
A definição de JHC é considerada uma das peças centrais do tabuleiro político alagoano. Qualquer alteração em sua estratégia poderá provocar um efeito em cadeia sobre as candidaturas de Arthur Lira, Davi Davino e de outras lideranças da oposição, além de influenciar diretamente os planos do grupo político liderado pelo ministro Renan Filho e pelo senador Renan Calheiros.
Com o prazo para registro das candidaturas se encerrando em 15 de agosto, cresce a expectativa de que as principais definições ocorram nos próximos dias. Até lá, as articulações seguem intensas, alianças continuam sendo discutidas e diferentes cenários permanecem em análise pelas lideranças partidárias.
Enquanto não houver um posicionamento oficial de JHC, todas as possibilidades permanecem abertas. A escolha entre disputar o Governo de Alagoas ou uma vaga no Senado poderá redefinir o equilíbrio de forças para as eleições de 2026 e influenciar diretamente a formação das alianças políticas no Estado.
Como resumem muitos dos protagonistas e observadores da política alagoana diante das negociações que ocorrem nos bastidores, “o jogo é bruto”. E, ao que tudo indica, a definição do cenário eleitoral alagoano ainda reserva novos capítulos antes do encerramento do prazo legal para o registro das candidaturas.