
Em nota, empresa afirma que não encomendou nem autorizou o levantamento divulgado e diz que adotará medidas judiciais para apurar responsabilidades e preservar sua imagem
Por Redação
Segundo Poder
A controvérsia envolvendo a pesquisa eleitoral registrada pelo Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu LTDA (TDL), que aponta o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), na liderança da disputa pelo Governo de Alagoas, ganhou um novo e significativo desdobramento. A empresa RB Dantas LTDA, identificada no registro da pesquisa como contratante do levantamento, divulgou nota pública negando qualquer participação na contratação do serviço e afirmando que teve seu nome utilizado sem autorização.
No comunicado, a empresa afirma que não celebrou contrato, não encomendou pesquisa de opinião, não solicitou qualquer levantamento referente ao atual cenário eleitoral e tampouco autorizou a emissão de documentos fiscais em seu nome. Segundo a RB Dantas, a associação de sua empresa ao registro da pesquisa não corresponde à realidade dos fatos.
“A RB Dantas LTDA vem a público esclarecer os fatos e restabelecer a verdade estrita diante das recentes matérias jornalísticas que associam o nome da nossa empresa à contratação de uma pesquisa de opinião pública no Estado de Alagoas”, afirma a nota.
A empresa reconhece que manteve relação comercial com a TDL em processos eleitorais anteriores, mas ressalta que essas parcerias foram encerradas e que não autorizam a utilização de seus dados cadastrais em novos levantamentos.
O ponto mais sensível do caso envolve a Nota Fiscal de Serviço Eletrônica nº 68, emitida em 19 de junho de 2026, no valor de R$ 47 mil. De acordo com a RB Dantas, o documento foi emitido sem autorização, sem a existência de contrato, sem prestação de serviço, sem aceite da empresa e sem qualquer pagamento ou previsão de quitação.
A empresa classifica a emissão da nota fiscal como indevida e afirma que o documento não possui lastro contratual. Em sua manifestação, sustenta que uma nota fiscal emitida nessas circunstâncias representa uma grave irregularidade e informa que buscará a responsabilização dos envolvidos caso as irregularidades sejam confirmadas pelas autoridades competentes.
Além da negativa pública, a RB Dantas anunciou a adoção de uma série de medidas jurídicas e administrativas. Entre elas estão o pedido de cancelamento da nota fiscal junto à Prefeitura de Maceió, a notificação extrajudicial ao instituto responsável pela pesquisa, o registro de boletim de ocorrência para apuração de possíveis crimes, incluindo falsidade ideológica e fraudes fiscais, além do encaminhamento de petição informativa ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comunicando que a nota fiscal utilizada para dar suporte ao registro da pesquisa não teria sido autorizada pela empresa.
O episódio também levanta novos questionamentos sobre a documentação apresentada no registro do levantamento eleitoral. Conforme divulgado anteriormente, o número da nota fiscal mencionada no caso não foi localizado na consulta pública da Prefeitura de Maceió, situação que amplia a necessidade de esclarecimentos por parte dos envolvidos e dos órgãos responsáveis pela fiscalização.
Em sua manifestação final, a RB Dantas reafirma que atua em conformidade com a legislação e destaca que relações comerciais mantidas no passado não autorizam terceiros a utilizar sua identidade empresarial, emitir documentos fiscais ou vinculá-la a pesquisas eleitorais sem autorização expressa, formal e prévia.
Com a negativa da empresa apontada como contratante, o caso ganha novos contornos e passa a exigir esclarecimentos documentais dos envolvidos, enquanto os órgãos competentes deverão apurar a regularidade da emissão da nota fiscal, da documentação utilizada no registro da pesquisa e das alegações apresentadas por todas as partes. O desfecho poderá ter reflexos tanto na esfera eleitoral quanto nas esferas administrativa, fiscal e criminal, conforme o resultado das investigações.