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Segundo Poder
Bergson Tenório
A tradicional Festa de São José, padroeiro de Novo Lino, celebrada no dia 19 de março, deixou de ser apenas um momento de fé e devoção para se tornar o centro de uma crescente tensão política entre os poderes Legislativo e Executivo do município.
O estopim da crise foi a ausência de convite oficial à Câmara Municipal para a missa em alusão ao Dia da Câmara, dentro da programação religiosa — um gesto que, segundo lideranças locais, sempre fez parte da tradição da cidade. A situação provocou reação imediata do presidente do Legislativo, Deval Rodrigues, que demonstrou indignação e classificou o episódio como um desrespeito institucional.
De acordo com o parlamentar, pelo segundo ano consecutivo a Câmara é deixada de fora das celebrações do padroeiro. “Causa estranheza”, afirmou, ao destacar que historicamente o Poder Legislativo sempre teve participação ativa nesse momento simbólico para a população.
O tom da crítica se intensificou quando Deval levantou a possibilidade de interferência externa na decisão. Sem apresentar provas, ele mencionou que não descarta que a orientação para excluir a Câmara possa ter partido da prefeita Marcela Gomes, direcionada ao pároco da cidade, o Padre Ronaldo Santos, responsável pela Paróquia São José.
Enquanto isso, a gestão municipal não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. A prefeita, que recentemente apoiou a reforma da igreja matriz e contribui com as comemorações do Jubileu de 30 anos da paróquia em 2026, mantém silêncio diante da repercussão.
Nos bastidores, o clima é de desgaste e insatisfação. O presidente da Câmara afirma que a falta de diálogo não se restringe ao evento religioso, mas se estende a diversas pautas administrativas, evidenciando um distanciamento cada vez maior entre os poderes.
Apesar das críticas, Deval reforçou respeito à tradição religiosa e à população, mas cobrou esclarecimentos. Para ele, a situação precisa ser tratada com transparência e responsabilidade institucional.
O episódio expõe um cenário de embate político que ultrapassa os limites da fé e transforma uma das celebrações mais simbólicas do calendário local em palco de disputa de poder — colocando frente a frente Executivo e Legislativo em um momento que, historicamente, sempre foi marcado pela união da comunidade.