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PCC e CV como terroristas: decisão dos EUA coincide com avanço da PF sobre investigações que alcançam aliados de Bolsonaro e operações em Delaware

Publicada em 29/05/2026 às 12:23h |  

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PCC e CV como terroristas: decisão dos EUA coincide com avanço da PF sobre investigações que alcançam aliados de Bolsonaro e operações em Delaware


Por Redação 

Agêncis de Notícias 

 

 

A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas ocorreu em um momento de intensificação de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre supostas conexões entre agentes públicos, empresários e organizações criminosas.

 

O anúncio foi feito dias após a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, onde manteve reuniões com integrantes do governo norte-americano. A medida foi celebrada pelo parlamentar, que classificou o momento como um avanço no combate ao crime organizado transnacional.

 

Paralelamente, vieram a público informações envolvendo a criação da empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, registrada em Delaware, estado norte-americano conhecido por sua legislação favorável à abertura de empresas. A companhia foi constituída por Paulo Calixto e Altieris Santana, sócios da Calixsan Capital Management LLC.

 

Calixto é conhecido por atuar na defesa de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Já Altieris Santana teve seu nome citado em mensagens divulgadas recentemente envolvendo discussões sobre financiamento do filme Dark Horse, projeto associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Os dois empresários também aparecem ligados ao fundo Havengate, estrutura que teria recebido aportes financeiros relacionados ao projeto audiovisual. Mensagens divulgadas pela imprensa sugerem que Altieris mantinha interlocução frequente com integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente.

 

Enquanto isso, investigações da Polícia Federal avançaram sobre personagens próximos ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que foi alvo de operações relacionadas a apurações sobre o Grupo Refit e o Banco Master. As ações reforçaram a convergência de diferentes linhas investigativas que buscam esclarecer possíveis esquemas de lavagem de dinheiro, movimentação patrimonial e conexões entre agentes econômicos e organizações criminosas.

 

Entre os pontos apurados está a utilização de empresas registradas em Delaware por integrantes do Grupo Refit. Segundo relatórios produzidos por órgãos de controle e documentos analisados pela Polícia Federal, as estruturas teriam sido utilizadas para movimentação de ativos e proteção patrimonial no exterior.

 

As investigações também alcançam suspeitas relacionadas ao tráfico internacional de armas. De acordo com informações constantes nos inquéritos, armamentos adquiridos nos Estados Unidos teriam sido introduzidos no Brasil por meio de esquemas que envolveriam intermediários ligados ao crime organizado.

 

Nesse contexto, a Polícia Federal identificou contatos entre Gutemberg Fonseca, ex-integrante do governo Cláudio Castro, e Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado pelas autoridades como liderança do Comando Vermelho. O conteúdo dessas comunicações integra um conjunto mais amplo de provas analisadas pelos investigadores.

 

Especialistas em segurança pública manifestaram preocupação com os possíveis efeitos da decisão norte-americana sobre a cooperação internacional. O promotor Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao PCC, afirmou que a mudança pode dificultar o intercâmbio de informações entre órgãos policiais brasileiros e norte-americanos.

 

Avaliação semelhante foi apresentada por Mário Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, para quem a nova classificação pode alterar os canais tradicionais de cooperação utilizados em investigações sobre organizações criminosas transnacionais.

 

O debate ocorre em meio ao aumento das tensões políticas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores do sistema de Justiça brasileiro. Enquanto apoiadores da medida defendem um endurecimento das ações contra facções criminosas, críticos argumentam que a mudança pode gerar obstáculos operacionais para investigações em andamento e para a troca de informações entre os dois países.

 

As apurações conduzidas pela Polícia Federal seguem em curso e, até o momento, não há decisões judiciais definitivas que estabeleçam responsabilidade criminal dos investigados citados nos procedimentos.




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