
Unidade foi oficialmente entregue meses antes com recursos do acordo socioambiental do Caso Braskem, mas nova cerimônia reacende questionamentos sobre a reapresentação da obra e a falta de destaque para a origem do investimento
Por Redação
Segundo Poder
A nova cerimônia realizada em torno do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD III), no bairro Cidade Universitária, abriu espaço para questionamentos sobre a condução da comunicação institucional da Prefeitura de Maceió. O motivo é simples: a unidade já havia sido oficialmente entregue em abril de 2026 e, agora, voltou a ser apresentada como se estivesse sendo inaugurada novamente.
Na ocasião da primeira entrega, a própria Braskem informou que o equipamento fazia parte das medidas de reparação previstas no acordo socioambiental firmado em razão dos danos provocados pela mineração de sal-gema em Maceió. O Ministério Público Federal (MPF), responsável por acompanhar a execução desse acordo, também divulgou oficialmente a entrega da unidade, destacando que o CAPS AD III integra as ações de reparação e fortalecimento da rede pública de saúde mental.

A reapresentação da obra, entretanto, gerou estranheza. Afinal, qual o motivo de promover uma nova inauguração de um equipamento que já havia sido oficialmente entregue?
Outro ponto que chama atenção é a forma como a Prefeitura tem divulgado obras financiadas com recursos provenientes do acordo da Braskem. Em diversas oportunidades, a administração municipal destaca a entrega dos equipamentos públicos sem dar o mesmo destaque ao fato de que parte desses investimentos decorre dos recursos de reparação previstos no acordo socioambiental, acompanhado pelo Ministério Público Federal.
No caso específico do CAPS AD III, a origem do investimento é pública e documentada. Tanto a Braskem quanto o MPF registraram que a construção da unidade integra o conjunto de ações financiadas com recursos destinados à reparação dos impactos causados pelo desastre ambiental.
Esse cenário levanta um debate importante sobre transparência. Quando uma obra é custeada com recursos vinculados a um acordo de reparação, a população também tem o direito de saber de onde veio o dinheiro utilizado para sua construção. Evidenciar essa informação não diminui a importância da gestão municipal na implantação e operação do equipamento, mas contribui para que o cidadão compreenda a origem dos investimentos públicos.

A realização de uma nova solenidade para uma obra já entregue, somada à pouca ênfase dada à origem dos recursos, acaba alimentando questionamentos políticos, sobretudo em um período de pré-campanha eleitoral. Sem uma explicação clara sobre a finalidade da nova cerimônia, permanece a dúvida que circula entre observadores da política local: tratou-se da entrega de uma nova etapa da unidade ou apenas da reapresentação de uma obra já inaugurada, financiada com recursos do acordo da Braskem?
Mais do que a realização de eventos oficiais, o que a população espera é transparência sobre os investimentos públicos e o reconhecimento da verdadeira origem dos recursos que viabilizaram obras importantes para Maceió. Afinal, independentemente de quem administra o município, o maior beneficiado deve ser o cidadão, que tem o direito de conhecer como e por quem cada investimento foi financiado.
