
Por Redação
Segundo Poder
O senador Renan Calheiros afirmou ter apresentado uma proposta no Senado Federal para proteger e ressarcir os aposentados e pensionistas de Maceió após o escândalo envolvendo a aplicação de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) no Banco Master durante a gestão do ex-prefeito JHC.
Segundo Renan, o caso é considerado um dos mais graves entre os investigados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, da qual ele é presidente. O senador declarou que Maceió foi “a única capital do país” a realizar aporte direto em letras financeiras do Banco Master, utilizando recursos previdenciários de aposentados e pensionistas.
De acordo com o parlamentar, a proposta apresentada no Senado pretende obrigar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a ressarcir fundos previdenciários públicos atingidos por operações financeiras investigadas ou consideradas fraudulentas. O projeto inclui diretamente os R$ 117 milhões aplicados pelo Iprev Maceió no Banco Master.
Renan afirmou que o objetivo é impedir que aposentados sejam penalizados por decisões administrativas tomadas sem segurança financeira e sem garantias suficientes. Em declaração pública, o senador afirmou que “quem brinca com o dinheiro dos aposentados precisa responder pelos seus atos”.
Suspeitas de fraude e assinaturas questionadas
Durante as investigações preliminares, Renan declarou haver indícios de irregularidades graves no processo que autorizou a operação financeira. Segundo ele, assinaturas de integrantes do conselho responsável pela autorização do investimento teriam sido fraudadas.
“O caso de Maceió é ainda mais grave porque não teve autorização do conselho que representa os aposentados. As assinaturas foram fraudadas”, afirmou o senador.
As declarações ampliaram a pressão política sobre a antiga gestão municipal e fizeram o caso ganhar dimensão nacional dentro das investigações sobre o Banco Master.
Além disso, Renan declarou que a comissão já solicitou documentos, explicações e informações detalhadas sobre toda a tramitação do aporte milionário realizado pelo Iprev.
Comissão do Senado acompanha investigação
Segundo o senador, a CAE criou um grupo específico para acompanhar os desdobramentos do caso envolvendo Maceió. O grupo investiga não apenas o aporte dos R$ 117 milhões, mas também outras operações financeiras realizadas durante a gestão JHC, incluindo a venda da folha de pagamento da Prefeitura de Maceió ao BRB.
Renan afirmou que a intenção é aprofundar as responsabilidades administrativas, financeiras e eventualmente criminais relacionadas ao caso.
“Vou até o fim e quero responsabilizar criminalmente uma a uma dessas pessoas que roubaram os aposentados e pensionistas”, declarou.
PF aguarda autorização para investigar operação
Reportagens divulgadas recentemente apontam que a Polícia Federal aguarda autorização judicial para avançar em uma investigação específica sobre o repasse dos R$ 117 milhões do Iprev ao Banco Master.
Segundo informações divulgadas, a PF apura possíveis indícios de gestão temerária, fraude documental e irregularidades na aplicação dos recursos previdenciários. O caso de Maceió passou a ser tratado separadamente pelo volume da operação e pelo fato de a capital alagoana ter sido a única capital brasileira a realizar esse tipo de aporte no banco.
Caso Banco Master ganhou repercussão nacional
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou repercussão após investigações sobre supostas fraudes financeiras, operações de alto risco e problemas de solvência da instituição. O caso passou a ser tratado nacionalmente após ações da Polícia Federal e do Banco Central relacionadas à situação financeira do banco.
As investigações também passaram a analisar aplicações feitas por fundos públicos e institutos de previdência municipais e estaduais em ativos ligados ao banco. Entre os casos citados estão operações realizadas por fundos previdenciários de diferentes estados e municípios brasileiros.
No caso de Maceió, a principal preocupação levantada por integrantes da comissão do Senado é o risco de prejuízo direto aos aposentados e pensionistas vinculados ao Iprev, diante da ausência de garantias integrais para esse tipo de investimento.