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Brasil

El Niño pode atingir força recorde em 2026 e ameaça trazer extremos climáticos ao Brasil

Publicada em 04/08/2026 às 05:15h | Boletim de órgãos federais aponta alta probabilidade de um fenômeno muito forte entre a primavera e o início do verão, com impactos em chuvas, calor, agricultura e recursos hídricos 

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El Niño pode atingir força recorde em 2026 e ameaça trazer extremos climáticos ao Brasil


Por Redação 

Segundo Poder 

 

 

O fenômeno El Niño deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026 e pode atingir a categoria de muito forte entre a primavera e o início do verão, aumentando o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil. A previsão consta no Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos federais.

O documento alerta para possíveis alterações no padrão de chuvas, aumento das temperaturas, impactos nos recursos hídricos, prejuízos para a agricultura e maior risco de desastres naturais, como enchentes, estiagens, ondas de calor e queimadas.

Segundo o levantamento, existe 100% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo até o início de 2027, com possibilidade elevada de alcançar intensidade muito forte, caracterizada pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial acima de 2°C.

O monitoramento reúne dados do Inmet, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Censipam.

Embora tenha origem no Oceano Pacífico, o El Niño interfere na circulação atmosférica global, alterando o comportamento dos ventos e o transporte de umidade. No Brasil, o fenômeno pode provocar períodos de chuva intensa em algumas regiões e estiagens prolongadas em outras.

Os especialistas ressaltam, porém, que o El Niño não é o único responsável pelas condições do clima, já que outros sistemas meteorológicos podem intensificar ou reduzir seus efeitos em cada região.

 

Sul deve enfrentar maior risco de chuvas intensas

Historicamente, a Região Sul é uma das áreas mais afetadas pelo El Niño, principalmente durante a primavera e o verão. A previsão indica aumento da frequência de temporais, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

De acordo com especialistas, o cenário exige atenção porque a região apresenta maior disponibilidade de água no solo em comparação com períodos anteriores, o que pode favorecer o transbordamento de rios durante episódios de chuva intensa.

Na agricultura, o excesso de umidade pode trazer benefícios em algumas culturas, mas também aumenta o risco de doenças nas plantações e dificuldades para operações de campo.

 

Amazônia pode registrar seca e redução dos níveis dos rios

Na Região Norte, a tendência é oposta: menos chuva, temperaturas acima da média e maior risco de estiagem e incêndios florestais.

O boletim aponta que a redução das precipitações pode provocar queda gradual dos níveis dos rios, afetando atividades como navegação, abastecimento de água e setores econômicos que dependem dos recursos hídricos.

A combinação de calor intenso e vegetação mais seca também aumenta a preocupação com queimadas, especialmente na Amazônia Legal.

 

Nordeste enfrenta risco de redução das chuvas e pressão sobre reservatórios

No Nordeste, os impactos devem ser mais sentidos durante o verão e o outono, principalmente na faixa norte da região. A previsão indica possibilidade de menor duração da estação chuvosa, temperaturas elevadas e redução da disponibilidade de água.

O Painel El Niño aponta que a situação atual de seca já apresenta maior vulnerabilidade em comparação com anos anteriores, com áreas que ainda não recuperaram totalmente suas reservas hídricas.

O cenário pode afetar principalmente a agricultura dependente das chuvas e aumentar a pressão sobre rios e reservatórios.

 

Centro-Oeste e Sudeste podem ter mais calor e queimadas

No Centro-Oeste, o atraso no início do período chuvoso pode prolongar a estiagem, elevar as temperaturas e aumentar o risco de queimadas e incêndios florestais.

Apesar dos impactos negativos, algumas culturas agrícolas podem ser beneficiadas pelo tempo mais seco durante determinadas fases da colheita.

No Sudeste, a expectativa é de ondas de calor mais frequentes, temperaturas acima da média e possível irregularidade nas chuvas. O aumento da evaporação pode reduzir a umidade do solo e elevar a demanda por água e energia.

 

Órgãos recomendam prevenção e acompanhamento dos alertas

Diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade, os órgãos responsáveis reforçam a necessidade de monitoramento constante das condições meteorológicas e adoção de medidas preventivas.

A recomendação é que a população acompanhe os alertas oficiais da Defesa Civil, conheça áreas de risco e siga orientações de segurança em caso de eventos extremos.

As instituições afirmam que novos boletins serão divulgados ao longo da evolução do fenômeno para orientar ações de prevenção e gerenciamento de riscos em todo o país.




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