
Alexandre Fleming critica assinatura de Eudócia Caldas em PEC alternativa ao fim da escala 6x1 e cobra defesa das trabalhadoras
Por Redação
Segundo Poder
A decisão da senadora Eudócia Caldas de assinar a chamada PEC da Jornada Flexível, apresentada como alternativa à proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal sem corte salarial, provocou forte reação de lideranças políticas e movimentos ligados aos direitos dos trabalhadores. Entre as vozes mais críticas está a de Alexandre Fleming, que questionou publicamente o posicionamento da parlamentar alagoana e afirmou que a medida representa um retrocesso nas conquistas trabalhistas.
A PEC assinada por Eudócia integra um grupo de propostas defendidas por parlamentares da oposição no Senado e mantém a possibilidade de jornadas flexíveis baseadas em horas trabalhadas, além de permitir que acordos individuais tenham maior peso nas relações entre patrões e empregados. Críticos da proposta argumentam que o texto abre espaço para a flexibilização de direitos históricos e para a redução proporcional de salários e benefícios em determinadas situações.
Em suas manifestações, Alexandre Fleming destacou que a assinatura da senadora ocorre justamente em um momento em que trabalhadores de todo o país mobilizam-se em defesa da redução da jornada de trabalho sem perdas salariais. Segundo ele, a adesão à PEC da Jornada Flexível vai na contramão das reivindicações populares e favorece interesses empresariais em detrimento da proteção social dos trabalhadores. As declarações foram feitas no contexto do intenso debate nacional sobre o futuro da escala 6x1.
Fleming também direcionou críticas ao fato de Eudócia ser uma das principais representantes femininas de Alagoas no Congresso Nacional. Para ele, uma parlamentar mulher deveria estar na linha de frente da defesa das trabalhadoras brasileiras, especialmente das mulheres que enfrentam jornadas extensas e acumulam responsabilidades profissionais e domésticas. O posicionamento, segundo o líder político, gerou frustração entre setores que esperavam uma postura favorável à ampliação dos direitos trabalhistas e à melhoria da qualidade de vida das mulheres no mercado de trabalho.
A polêmica ganhou ainda mais repercussão porque Eudócia foi a única integrante da bancada alagoana no Senado a assinar a proposta alternativa. O gesto passou a ser alvo de críticas de sindicatos, movimentos sociais e lideranças políticas que defendem o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso por semana sem redução salarial.
Enquanto defensores da PEC da Jornada Flexível argumentam que a proposta amplia a liberdade de negociação entre empregadores e empregados, opositores afirmam que o modelo pode aumentar a insegurança dos trabalhadores e enfraquecer mecanismos coletivos de proteção. Nesse cenário, as declarações de Alexandre Fleming ampliam a pressão política sobre a senadora alagoana e reforçam o debate sobre qual caminho o Brasil deve seguir na discussão sobre jornada de trabalho, direitos sociais e valorização da força de trabalho.
O episódio coloca Eudócia Caldas no centro de uma discussão que ultrapassa as fronteiras partidárias e envolve temas sensíveis como condições de trabalho, renda, proteção social e igualdade de gênero, assuntos que devem continuar mobilizando o Congresso Nacional e a sociedade nos próximos meses.