
Por Redação
Segundo Poder
O deputado federal Arthur Lira voltou ao centro de uma forte crise política após declarações do senador Renan Calheiros envolvendo o escândalo do Banco Master, uma suposta contrapartida milionária e a compra de imóveis e aeronaves ligados ao empresário Leonardo Valverde.
As acusações foram feitas durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em audiência com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Na ocasião, Renan afirmou que Lira teria recebido uma mansão avaliada em mais de R$ 30 milhões no Lago Sul, área nobre de Brasília, após atuar na tramitação de emendas ligadas aos interesses do Banco Master.
Segundo Renan, o imóvel teria ligação direta com o empresário Leonardo Valverde, apontado por ele como operador do BRB e articulador de interesses do Banco Master em Brasília. O senador também afirmou que Arthur Lira teria adquirido recentemente um jatinho em sociedade com Valverde, que possuiria 50% da aeronave.
Durante a sessão, Renan foi enfático ao dizer que os fatos “estariam comprovados” e defendeu que o Supremo Tribunal Federal amplie as investigações para apurar se houve pagamento de vantagens em troca da aprovação de medidas favoráveis ao banco.
No centro da polêmica está a chamada “emenda Master”, proposta que obrigaria seguradoras, fundos de previdência e entidades financeiras a direcionarem parte de seus recursos para créditos de carbono e ativos ligados ao mercado financeiro defendido por setores próximos ao banco. O caso ganhou dimensão nacional após investigações da Polícia Federal apontarem influência direta do Banco Master na elaboração de emendas parlamentares apresentadas no Congresso.
A investigação conduzida pela PF revelou que uma das emendas de interesse do banco teria sido redigida dentro do próprio Master e entregue pronta a parlamentares aliados. O caso foi incluído em decisões do ministro do STF André Mendonça no âmbito da Operação Compliance Zero.
As acusações reacenderam questionamentos sobre o patrimônio recente de Arthur Lira. Em 2025, reportagens revelaram que o deputado adquiriu uma mansão em Brasília avaliada em cerca de R$ 10 milhões, localizada justamente no Lago Sul. O imóvel pertencia ao empresário Leonardo Valverde e parte da compra foi financiada pelo BRB.
Além disso, documentos divulgados pela imprensa mostraram que o valor da mansão superava significativamente os bens declarados por Lira à Justiça Eleitoral, levantando novos debates sobre evolução patrimonial e relações políticas envolvendo o BRB e empresários ligados ao Banco Master.
Nos bastidores de Brasília, o caso já é tratado como uma das mais explosivas ramificações do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. O episódio ampliou a guerra política entre Arthur Lira e Renan Calheiros em Alagoas, justamente em meio às movimentações para as eleições de 2026.
Arthur Lira nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política. Até o momento, porém, as declarações feitas no Senado continuam repercutindo fortemente nos meios políticos e jurídicos, aumentando a pressão para que órgãos de controle aprofundem as investigações sobre a relação entre parlamentares, empresários e o esquema do Banco Master.